9 a 12 de Setembro de 2026 | São Paulo / SP

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Resumos Aprovados 2026

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PSUS11 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Desenvolvimento municipal e exodontias no SUS: Desafios na mudança do modelo assistencial
Verena Paula Stern Netto, Cristiane Maria da Costa Silva, Juliane Franco Martins, Gustavo Fernando Silva, Walbert de Andrade Vieira, Carlos José Soares, Luiz Renato Paranhos
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

As exodontias são procedimentos frequentes no Sistema Único de Saúde (SUS) e relacionam-se ao acesso tardio e às desigualdades na atenção à saúde bucal. Este estudo analisou a tendência temporal das exodontias de dentes permanentes na Atenção Primária e sua associação com indicadores municipais. Trata-se de estudo ecológico com amostra dimensionada (IC 95%, erro 10%) de 200 municípios, selecionados de forma intencional pelos extremos da distribuição do Produto Interno Bruto (PIB) per capita (100 menores e 100 maiores PIB), conforme Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Taxas de exodontia (TE) por 1.000 habitantes foram calculadas com dados dos Sistemas de Informações do SUS. A tendência temporal foi estimada por regressão de mínimos quadrados (GLS AR1) calculando-se a variação percentual anual (APC). A comparação entre grupos foi realizada por modelo de efeitos mistos (binomial negativa), ajustado por indicadores socioeconômicos (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal/IDHM, de Gini), demográficos (IBGE) e pelo ano. Foram registradas 355.218 exodontias, com tendência estacionária das TE em ambos os grupos. Não houve diferença na TE entre municípios segundo o PIB per capita (p = 0,83). Municípios com maior IDHM apresentaram menores TE (β = -5,45; p = 0,001), enquanto Gini, PIB e densidade populacional não foram significativos.

A região Nordeste concentrou a maior proporção de exodontias. Embora maiores níveis de desenvolvimento humano estejam associados a menores taxas de exodontias, a estabilidade temporal e a homogeneidade entre municípios com distintos PIB per capita sugerem limitações estruturais na reorientação do modelo assistencial da saúde bucal no Brasil.

(Apoio: CAPES  N° 001  |  CNPq INCT Saúde Oral e Odontologia  N° 406840/2022-9  |  FAPEMIG  N° RED-00204-23)
PSUS12 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Fatores sociodemográficos, socioeconômicos e período pós-pandêmico associados à prematuridade em uma capital sul-brasileira
Renatha Cristiane Nogueira Peres, Bárbara Munhoz da Cunha, Lethicia Leal de Oliveira, Mauricio Jose Panho, Juliana Schaia Rocha, Pablo Guilherme Caldarelli, Marilisa Carneiro Leão Gabardo
Programa de Pós Graduação em Odontologia UNIVERSIDADE POSITIVO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Investigou-se a associação entre fatores sociodemográficos, socioeconômicos e período pré e pós-pandêmico, e o tipo de parto em gestantes de Curitiba, PR, Brasil. Estudo transversal com dados obtidos do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) obtidos em setembro de 2024. As variáveis explicativas foram: Distrito Sanitário (DS) de residência, ano do parto, idade materna, escolaridade, raça, estado civil, ocupação, vínculo assistencial e Índice de Vulnerabilidade das Áreas de Abrangência das Unidades Municipais de Saúde (IVAB). O desfecho foi o parto: a termo ou pré-termo. Realizou-se análise descritiva, seguida de teste de Qui-quadrado de Pearson e regressão logística binária no SPSS®, versão 26.0. Foram analisados dados de 36.742 gestantes. A média da idade foi 9,2 (± 6,5) anos, com prevalência de brancas (81,2%), sem companheiro (52,1%), com escolaridade alta (93%) e que trabalhavam fora (64,2%). Quanto ao vínculo assistencial, houve um equilíbrio entre privado (50,4%) e público (49,6%). O IVAB teve frequência mais elevada na categoria "alto" (45,3%). Gestantes do DS Tatuquara (OR=1,17; IC 95%: 1,02 - 1,34; p=0,027), partos realizados em 2022 (OR=1,14; IC 95%: 1,07-1,21; p < 0,001), idade > 35 anos (OR = 1,26; IC 95%: 1,18-1,35; p < 0,001), "escolaridade baixa" (OR=1,22; IC 95%: 1,05-1,42, p=0,009), e vínculo assistencial público (IC 95%: 1,28 - 1,40; p < 0,001) aumentaram as chances de prematuridade após ajuste. A categoria "sem companheiro" apresentou menor risco para a ocorrência de parto prematuro (OR=0,88; IC 95%: 0,83-0,93; p < 0,001).

A prematuridade foi associada a fatores territoriais, individuais e assistenciais, bem como ao período pós-pandêmico.

(Apoio: CAPES  N° 001)
PSUS13 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Tendências temporais e desigualdades regionais no câncer bucal no Brasil, 2013-2030: uma análise ecológica de série temporal
Caio Melo Mesquita, Cristiane Maria da Costa Silva, Higor Andrade de Oliveira Gonçalves, Ana Luísa Tavares de Oliveira, Leandro Machado Oliveira, João Botelho, Luiz Renato Paranhos
Programa de Pós-Graduação em Odontologia UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O câncer bucal (CaB) representa um desafio significativo para a saúde pública, particularmente em países em desenvolvimento. Este estudo analisou as tendências temporais, o impacto da pandemia de COVID-19 e as projeções até 2030 das taxas de incidência e mortalidade por CaB no Brasil, estratificadas por sexo e macrorregião. Trata-se de um estudo ecológico de série temporal, baseado em dados secundários do DATASUS e do SIH/SUS de 2013-2022, incluindo neoplasias malignas da cavidade oral e glândulas salivares maiores (CID-10: C00-C08). As taxas de incidência e mortalidade padronizadas por idade foram analisadas por regressão linear de Prais-Winsten e classificadas segundo a Variação Percentual Anual, com significância de 5%. As projeções para 2030 foram estimadas por suavização exponencial dupla, e o impacto da pandemia foi avaliado pela razão entre taxas observadas e previstas de 2020-2022. Foram registrados 40.078 óbitos e 92.411 casos, dos quais 70,8% ocorreram em homens, com maior concentração entre 55 e 64 anos de idade. A incidência aumentou significativamente em todas as macrorregiões, sobretudo no Norte e no Sul, enquanto a mortalidade permaneceu estável. Durante a pandemia, houve aparente redução dos casos, sugerindo subnotificação e atraso diagnóstico. As projeções indicaram aumento contínuo da incidência e discreto aumento da mortalidade até 2030. As limitações incluíram o uso de dados secundários, sujeitos à subnotificação.

O CaB apresenta desigualdades regionais e tendência crescente de incidência no Brasil. A pandemia pode ter mascarado a real magnitude da doença, reforçando a urgência de fortalecer políticas de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce, especialmente contextos de vulnerabilidade.

(Apoio: CAPES  N° 001  |  FAPs - FAPEMIG RED  N° 00204-23  |  CNPq INCT Saúde Oral e Odontologia  N° 406840/2022-9)
PSUS14 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Determinantes sociais da saúde e fatores associados à saúde bucal de crianças brasileiras e migrantes venezuelanas
Pablo Guilherme Caldarelli, Maria Clara Pereira Salles, Karine Fatima Lyko, Maria Augusta Ramires Piemonte, Marilisa Carneiro Leão Gabardo
Programa de Pós-Graduação em Odontologia UNIVERSIDADE POSITIVO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Determinantes sociais influenciam a incidência, controle e prevenção de doenças bucais. O objetivo do estudo foi analisar práticas e fatores associados à saúde bucal de crianças brasileiras e migrantes venezuelanas na primeira infância. Tratou-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e transversal, com responsáveis por crianças brasileiras e venezuelanas atendidas em uma Unidade Básica de Saúde de Londrina, PR, Brasil. Foi utilizado formulário com questões sobre perfil sociodemográfico e condições de vida dos responsáveis, informações gerais da criança, hábitos de saúde bucal, acesso a informações e serviços de saúde. O formulário foi aplicado presencialmente a 40 indivíduos responsáveis por crianças, 20 brasileiros e 20 venezuelanos. Observou-se predominância de famílias em vulnerabilidade social, com baixa renda e maior número de moradores no domicílio. Venezuelanos apresentaram maior vulnerabilidade, renda ≤1 salário-mínimo (n=9; 45%) e dependência de benefícios (n=8; 40%). Barreiras de acesso ao serviço foram frequentes, sobretudo entre migrantes, com destaque para distância, dificuldade de transporte e idioma. A maioria das crianças venezuelanas (n=9; 45%) realizava escovação sem supervisão. Quanto ao dentifrício, 35% (n=7) das crianças brasileiras e 25% (n=5) das crianças venezuelanas utilizavam sem flúor. O consumo diário de açúcar foi elevado para brasileiros (n=7; 35%) e venezuelanos (n=9; 45%).

Concluiu-se que os determinantes sociais influenciam a saúde bucal infantil, evidenciando desigualdades no acesso ao serviço e lacunas no cuidado, especialmente entre famílias migrantes e em maior vulnerabilidade. Há necessidade de fortalecimento de ações educativas e estratégias para a equidade no cuidado.

PSUS15 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Tendências das Desigualdades Socioeconômicas na Utilização de Serviços de Saúde Bucal Públicos e Privados no Brasil de 2003 a 2023
Maria Luíza Viana Fonseca, Líria Sheila Chamane, Rosana Leal do Prado, Doralice Severo da Cruz, Ana Luíza Guerra Francisco, Maria Luíza do Nascimento Silva, Loliza Luiz Figueiredo Houri Chalub, Raquel Conceição Ferreira
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Analisar as tendências das desigualdades socioeconômicas na utilização de serviços de saúde bucal entre adultos brasileiros (35-44 anos), de 2003 a 2023, segundo o tipo de serviço utilizado (público ou privado). Estudo transversal com dados dos inquéritos nacionais de saúde bucal de 2003, 2010 e 2023. O uso de serviços odontológicos no último ano foi categorizado em 0- nunca usou; Usou no último ano; >1-<3 e ≥ 3 anos. A renda familiar foi categorizada em salários mínimos: até 1; >1-3; >3-5; e >5 salários e a escolaridade em: 0- nenhum estudo; 1-4; 5-8; 9-11 e ≥ 12 anos de estudo. Foram estimadas prevalências ponderadas da utilização de serviços, calculados os Índices Angular de Desigualdade (IAD) e de Desigualdade Relativa (IRD), ajustados por idade e sexo e a interação para avaliar mudanças ao longo do tempo. Foi estimada a variação percentual anual (VPA) com IC 95%. Foram incluídos 13430, 9779 e 9019 participantes, respectivamente, em cada ano. Entre 2003 e 2023, a proporção de adultos que utilizaram serviços no último ano aumentou de 38,7% para 51,6% (VPA=1,39%), enquanto a utilização ≥3 anos diminuiu de 35,3% para 15,1% (VPA=-3,9%). Entre usuários de serviços públicos, a utilização no último ano cresceu de 37,4% para 52,9% (VPA=1,75%), e entre usuários de serviços privados, a tendência não foi significativa (VPA=0,99%). Quanto à escolaridade, houve redução das desigualdades na amostra total (IRD: 2,16-2003 para 1,39-2023). Entre usuários de serviços públicos, o IRD reduziu de 2,17 para 1,08 e o IAD de 0,27 para 0,07. Entre usuários de serviços privados, não houve mudanças significativas.

Houve ampliação do uso recente de serviços e redução das desigualdades educacionais, especialmente no setor público, mas persistiram desigualdades de renda.

(Apoio: CAPES  N° 001  |  CAPES  N° 88887.208746/2025-00  |  CNPq  N° 310938/2022-8 )
PSUS16 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Percepções de gestores sobre monitoramento e avaliação em saúde bucal no SUS
Lucas de Oliveira, Raquel Conceição Ferreira, Antônio Paulo Gomes Chiari, Rosana Leal do Prado, Ana Maria Freire de Souza Lima, Claudia Flemming Colussi, Maria Inês Barreiros Senna
Odontologia Social e Preventiva UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Analisar as percepções de gestores e técnicos federais sobre o monitoramento e avaliação (M&A) em saúde bucal no SUS. Estudo qualitativo realizado com cinco gestores estratégicos do Ministério da Saúde e Conselhos representativos. Foram conduzidas entrevistas online baseadas no referencial do Consolidated Framework for Implementation Research (CFIR), transcritas via inteligência artificial (Whisper/OpenAI) e submetidas à análise temática. O M&A foi percebido como ciclo intrínseco ao planejamento e à tomada de decisão, visando superar o "fiscalismo" (foco financeiro), em prol da qualidade do cuidado e efetividade das ações. A saúde digital emergiu como um importante fator de mudança, com destaque para o uso de painéis interativos, inteligência artificial e interoperabilidade de dados para otimizar a gestão. As principais barreiras incluíram a cultura avaliativa frágil, a formação acadêmica voltada ao modelo privado e sobrecarga por sistemas desintegrados. Como facilitadores, destacaram-se o comprometimento político, a indução por meio da educação permanente e a pressão por transparência e reponsabilidade perante órgãos de controle como Tribunal de Contas da União (TCU) e Controladoria-Geral da União (CGU). A equidade surge como princípio norteador para identificar disparidades sociais e regionais, orientando recursos às populações vulneráveis.

Concluiu-se que a implementação de monitoramento e avaliação é vista como uma ferramenta estratégica e necessária, mas que exige superar barreiras culturais e operacionais para consolidar uma cultura de avaliação que qualifique a assistência e promova a equidade no SUS.

(Apoio: CNPq  N° 445286/2023-7  |  CNPq  N° 310938/2022-8)
PSUS17 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Barreiras estigmas no cuidado odontológico a pessoas que fazem uso de drogas ilícitas: resultados preliminares
Laura Bezerra Borges, Ana Clara Braga Costa Silva, Lucas Gonçalves de Sousa, Jaqueline Vilela Bulgareli, Álex Moreira Herval
Saúde Coletiva e Odontologia Legal UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Usuários de drogas ilícitas enfrentam maior vulnerabilidade social e demandam cuidados específicos e interdisciplinares. Contudo, persistem barreiras interinstitucionais e interpessoais que impedem a efetivação do cuidado odontológico oportuno. Diante disso, objetivou-se compreender os significados atribuídos por cirurgiões-dentistas no cuidado de pessoas que fazem uso abusivo de drogas ilícitas. Para isso, realizou-se um estudo qualitativo por meio de entrevistas semiestruturadas conduzidas com cirurgiões-dentistas da Atenção Primária à Saúde do município de Uberlândia (Minas Gerais). A análise dos dados foi realizada por meio da Teoria Fundamentada nos Dados. Nos resultados produzidos até o momento, compreendeu-se que os profissionais justificam o não atendimento a essa população: 1) por medo de comportamentos agressivos; 2) limitações formativas na abordagem dessa população e o manejo de intercorrências; 3) ausência de protocolos específicos para o atendimento de pacientes sob efeito de drogas; e 4) baixa visibilidade para as dificuldades dessas pessoas no contexto assistencial.

O cuidado primário em saúde bucal às pessoas que fazem uso de drogas ilícitas permanece limitado por barreiras subjetivas (medo), estruturais (falta de protocolos) e formativas. Algumas justificativas para o não-atendimento encontram respaldo na literatura científica e técnica.

(Apoio: CAPES  N° 001  |  FAPs - FAPEMIG  N° RED-00204-23  |  CNPq-INCT Saúde Oral e Odontologia  N° 406840/2022-9)
PSUS18 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Associação entre procedimentos odontológicos e prematuridade em gestantes de Curitiba, PR, Brasil: Um estudo de caso-controle
Andressa do Nascimento Trigo, Bárbara Munhoz da Cunha, Bárbara Emanuelle da Silva E. Silva, Joao Armando Brancher, Solena Ziemer Kusma, Juliana Schaia Rocha, Pablo Guilherme Caldarelli, Marilisa Carneiro Leão Gabardo
UNIVERSIDADE POSITIVO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Neste estudo de caso-controle investigou-se a associação entre procedimentos odontológicos realizados durante a gestação e o desfecho de parto prematuro em gestantes atendidas no sistema público de saúde de Curitiba, PR, em 2022. Foram analisados prontuários de 628 gestantes inscritas no Programa Mãe Curitibana, pareadas por idade e escolaridade em uma proporção de 3:1 (partos a termo: partos prematuros), sendo 471 do grupo controle e 157 do grupo caso. A seleção inicial foi realizada com base nos dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC), considerando partos a termo (n = 1680) e partos prematuros (n = 183) ocorridos em 2022. Os registros odontológicos foram extraídos da plataforma e-Saúde, incluindo informações sobre procedimentos preventivos, restauradores, endodônticos, periodontais, cirúrgicos e diversos (auxiliares). As análises estatísticas foram realizadas no SPSS® versão 26.0, com aplicação do teste do U de Mann-Whitney (nível de significância de 5%). Não houve associação significativa entre "restauração em resina composta" (p = 0,188), "restauração em amálgama" (p = 0,903), "acesso à polpa dentária" (p = 0,296), "Tratamento Restaurador Atraumático" (p = 0,270) e "exodontia de dente permanente" (p = 0,268) e "curativo de demora" (p = 0,739), e os grupos caso e controle.

Em conclusão, a realização de procedimentos odontológicos durante a gestação não foi associada ao aumento do risco de parto prematuro nesta amostra. Este achado reforça a segurança da atenção odontológica para gestantes no contexto do Sistema Único de Saúde, contribuindo para a promoção da saúde bucal materna sem comprometer os desfechos gestacionais.

(Apoio: CAPES  N° 001  |  CAPES  N° 001)
PSUS19 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Equidade na gestão da saúde: percepção e práticas de gestores no contexto da implementação do MonitoraSB
Graziele Bárbara Dos Santos, Isabel Machado Bolina, Maria Inês Barreiros Senna, Rosana Leal do Prado, Márcia Pereira Alves dos Santos, Alex Júnio Silva da Cruz, Antônio Paulo Gomes Chiari, Raquel Conceição Ferreira
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A equidade é princípio do Sistema Único de Saúde (SUS) e eixo para qualificar gestão, monitoramento e avaliação (M&A) das políticas públicas de saúde. O MonitoraSB pode apoiar o uso de informações para identificar desigualdades e qualificar decisões. Na implementação do MonitoraSB na gestão estadual de saúde bucal, avaliaram-se os determinantes com base no CFIR. Este estudo descreve os achados sobre equidade nessa avaliação. Pesquisa qualitativa, com entrevistas semiestruturadas com gestores federais (contexto externo) e estaduais (contexto interno), incluindo coordenadores de saúde bucal ou equivalentes. O roteiro abordou a compreensão sobre equidade e sua incorporação à gestão, ao M&A e à decisão. As entrevistas foram analisadas por etapas dedutivas orientadas pelo CFIR e indutivas, por três pesquisadores, usando análise rápida. Participaram 24 gestores, 5 federais e 18 estaduais. No contexto externo, destacou-se o descompasso entre equidade normativa e financiamento da saúde bucal no SUS. Os gestores reconheceram suporte legal ao princípio e iniciativas para operacionalizá-lo, sobretudo na saúde digital. No contexto interno, observou-se ausência de institucionalização da equidade no M&A da saúde bucal, centrado em indicadores financeiros ou demandas administrativas. Análises por desigualdades, necessidades sociais e recortes territoriais/populacionais são pouco incorporadas à gestão.

A equidade foi transversal nos contextos, mas com incorporação distinta: no externo, como princípio normativo e programático; no interno, como dimensão pouco institucionalizada. Embora valorizada como diretriz legítima, não orienta práticas, indicadores, recortes analíticos e decisões na gestão da saúde bucal.

(Apoio: CNPq  N° 445286/2023-7  |  CNPq  N° 310938/2022-8)
PSUS20 - Pesquisa Odontológica no Sistema Único de Saúde
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 11/09 - Horário: 14h00 às 18h00 - Local: Bloco C - Laranja

Da cobertura à integração: padrões organizacionais da saúde bucal na Atenção Primária à Saúde brasileira
Renata Rocha Jorge, Márcia Maria Pereira Rendeiro, Beatriz Cristina de Freitas
PRECOM UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A integração da saúde bucal na Atenção Primária à Saúde (APS) constitui um desafio no Sistema Único de Saúde, especialmente diante da expansão da cobertura de equipes de saúde bucal (eSB) e da necessidade de consolidação de práticas integrais. Este estudo analisou os níveis de integração da saúde bucal na APS no Brasil, a partir das características organizacionais das Unidades Básicas de Saúde (UBS), com base no Censo Nacional das UBS de 2024. Trata-se de estudo transversal, descritivo-analítico, com dados secundários agregados. A análise foi estruturada nas dimensões estrutura, processo de trabalho, escopo de práticas e integração com a rede, incluindo análise descritiva, análise de gap entre estrutura e práticas e análise ecológica exploratória com estimativas de proporções e intervalos de confiança de 95%. Observou-se elevada cobertura de eSB, com variações regionais. Entretanto, identificou-se descompasso entre capacidade instalada e incorporação de práticas preventivas e educativas, além de heterogeneidade na organização do processo de trabalho e na articulação com a rede. A análise sugere coexistência entre maior presença de eSB e melhores indicadores organizacionais da APS. Foram identificados três padrões organizacionais: assistencialista, intermediário e integrado.

Conclui-se que a integração da saúde bucal ocorre de forma heterogênea, sendo condicionada por fatores organizacionais. A expansão da cobertura não garante, isoladamente, a integralidade do cuidado.




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