9 a 12 de Setembro de 2026 | São Paulo / SP

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Resumos Aprovados 2026

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PNa0184 - Painel Aspirante
Área: 9 - Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais / Odontologia Hospitalar

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Perda dentária em indivíduos com doenças reumatológicas e sua associação com a atividade da doença
Laura Silva Siano Rodrigues, Lydia Silva Provinciali, Victória Boëchat Feyo, Mel Ferreira de Araújo, Rayssa Pereira Oliveira, Aneliese Holetz de Toledo Lourenço, Viviane Angelina de Souza, Gisele Maria Campos Fabri
UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O envolvimento bucal nas doenças reumatológicas (DRs) permanece subestimado na prática clínica, particularmente no que concerne à perda dentária como desfecho de doença periodontal não controlada. Este estudo transversal investigou a perda dentária em indivíduos com DRs atendidos em hospital universitário, analisando sua associação com o nível de atividade inflamatória sistêmica comparados com um grupo controle. A avaliação odontológica incluiu exame clínico periodontal e a coleta do Índice de Dentes Cariado Perdidos e Obturados (CPOD), com ênfase no componente "perdido", e a atividade das doenças foi mensurada por instrumentos validados. A amostra incluiu 56 participantes (37 com DRs e 19 controles), com maior média de idade no grupo de estudo (56,9 ± 14,39 vs. 44,7 ± 14,37). Ao realizar o exame clínico odontológico, observou-se pior condição de saúde bucal nos participantes com DRs, que apresentaram maior média de CPOD (17,19 ± 4,95 vs. 13,22 ± 10,61) e de dentes perdidos (12,73 ± 16,26 vs. 1,36 ± 1,41). A presença de periodonto classificado como doente foi frequente em ambos os grupos (72,98% vs. 84,22%). Especificamente no grupo de estudo, constatou-se que indivíduos com maior atividade da doença apresentaram maior média de perda dentária (14,38 ± 15,55 vs. 9,58 ± 3,53) em relação àqueles em remissão ou baixa atividade.

Concluiu-se que indivíduos com DRs podem apresentar pior condição de saúde bucal, com maior perda dentária, potencialmente associada a maior atividade inflamatória. Estudos longitudinais são necessários para estabelecer a temporalidade dessa associação. Os dados reforçam a relação bidirecional entre saúde bucal precária e carga inflamatória sistêmica.

(Apoio: CAPES  N° 88887.228778/2025-00)
PNa0185 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Demandas odontológicas em serviços de saúde de urgência e emergência: reflexos da fragilidade na atenção básica
Carolina Santos de Almeida Carneiro, Suzely Adas Saliba Moimaz, Tânia Adas Saliba
Doutorado Saúde Coletiva em Odontologia UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA - ARAÇATUBA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O objetivo do estudo foi analisar a percepção dos usuários na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) sobre o acesso, continuidade e qualidade do cuidado em saúde bucal. Trata-se de um estudo observacional, de corte transversal com abordagem quantitativa, realizado com 200 usuários atendidos no serviço de urgência e emergência odontológica no município de Salvador, Bahia. Os dados foram coletados por meio de instrumento semiestruturado e analisados nos softwares Epi Info 7.2.4.0 e BioEst 5.0, com testes estatísticos e nível de significância de 5%. A maioria dos participantes era do sexo feminino (62%) e tinha entre 18 e 40 anos (51,50%). A dor foi o principal motivo da procura (52%), com destaque para queixas como trauma (31,0%) e inflamação na gengiva (17,0%). A maioria dos usuários (95%) relataram tentativa prévia de atendimento na UBS sem resolução do problema, destacando-se a falta de vagas (51,50%) e de profissionais (31%). Quanto à continuidade do cuidado, houve associação significativa entre tempo de dor e procura prévia (p=0,0394), justificando a persistência dos usuários na busca por atendimento e na dificuldade recorrente no agendamento de consulta no âmbito primário. Foi relatada elevada satisfação com o atendimento na UPA (75%).

Diante desse contexto, a utilização da UPA como porta de entrada reforça a fragmentação do sistema e a centralidade em práticas curativas, evidenciando a necessidade de fortalecimento da atenção primária, com ampliação do acesso, garantia da continuidade do cuidado e qualificação da assistência em saúde bucal.

(Apoio: CAPES  N° 92485725.6.0000.5420)
PNa0186 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

SAÚDE BUCAL NA CIRURGIA BARIÁTRICA
Lucas Fernandes Braga, Aianne Souto Pizzolato Ribeiro, Beatriz Tomé Martins de Moraes, Paula Midori Castelo
Patologia Investigativa UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Resultados prévios do grupo demonstraram deterioração da saúde bucal durante o tratamento da obesidade mórbida, com a coexistência de cárie dentária e doença periodontal associados a mudanças dietéticas, comportamentais e salivares, tanto no período pré-operatório quanto após a cirurgia bariátrica. Observou-se ainda que orientações convencionais de higiene bucal não foram suficientes para controle dessas condições, evidenciando a necessidade de orientações específicas para esse público. Diante disso, desenvolveu-se um projeto de extensão com o objetivo de elaborar materiais instrucionais voltados à promoção da saúde bucal em pacientes bariátricos e à equipe que assiste o paciente. Foram produzidos 13 vídeos educativos que abordam higiene oral, dieta, controle do biofilme e autoavaliação bucal. Os conteúdos foram disponibilizados em plataforma digital e enviados de forma sequencial aos pacientes no período de 6 meses, de acordo com o momento clínico, visando reforço contínuo das orientações.

A utilização de mídias digitais mostrou-se uma estratégia promissora para a ampliação do acesso à informação, estímulo ao autocuidado e fortalecimento da educação em saúde, destacando o potencial dessas ferramentas na prevenção de agravos bucais em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

(Apoio: CNPq  N° 132285/2024-0)
PNa0188 - Painel Aspirante
Área: 9 - Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais / Odontologia Hospitalar

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Aspectos bucais de pacientes adultos com Síndrome de Moebius
Caroline Augusta Belo Faria, Renata Lidorio Alves Pinto, Jheinis Stefany Pascuineli Duarte, Aline Aparecida Muniz, Nathália Tuany Duarte, Marina Gallottini
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - SÃO PAULO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A Síndrome de Moebius (SM) é uma condição congênita rara e não progressiva, caracterizada principalmente por paralisia facial, limitação da abdução ocular, alterações ortopédicas e manifestações bucais atípicas, como malformação na língua, incapacidade de selamento labial, movimentos bucais de autolimpeza limitados. Ao longo de 30 anos, o CAPE (Centro de Atendimento a Pacientes Especiais) atendeu 175 pacientes com SM para tratamento odontológico, a maioria encaminhada pela AMOB (Associação de Amigos da Síndrome de Moebius), ainda na primeira infância. Entretanto, nos últimos anos, observou-se que alguns pacientes com SM passaram a procurar o CAPE pela primeira vez já na fase adulta. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi caracterizar os aspectos gerais e odontológicos desses indivíduos por meio de um estudo retrospectivo. Foram coletados dados sociodemográficos, médicos e odontológicos, incluindo queixas e condições bucais. Do total de pacientes com SM atendidos no CAPE, 12 (12/175; 6,9%) tiveram o primeiro atendimento entre 18 e 34 anos, com distribuição equivalente entre os sexos. A maioria dos pacientes exibia depressão e ansiedade. As principais queixas odontológicas incluíram sangramento gengival, cárie, dor, maloclusão, mobilidade dental, bruxismo e xerostomia. A maioria dos pacientes apresentou múltiplas lesões de cárie, com índice CPOD (dentes cariados, perdidos e obturados) variando de 6 a 32, além de alta frequência de gengivite e higiene oral insatisfatória.

Os achados evidenciam elevada demanda odontológica o que pode estar relacionado ao acesso tardio em um serviço odontológico especializado.

PNa0189 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Interprofissionalidade e produção do cuidado na Estratégia Saúde da Família em territórios rurais vulneráveis
Bárbara Rachelli Farias Teixeira, José Marcos Pereira Júnior, Amrinderbir Singh, Franklin Delano Soares Forte
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Analisar a dinâmica das práticas colaborativas interprofissionais desenvolvidas por equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) em contextos rurais vulneráveis, identificando fragilidades e potencialidades para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS). Estudo qualitativo de casos múltiplos realizado em três municípios rurais do Nordeste brasileiro, com 23 profissionais de equipes da ESF. A produção dos dados incluiu entrevistas semiestruturadas, observação não participante e registros em diário de campo. A análise seguiu a abordagem hermenêutico-dialética, com construção de categorias interpretativas. A interprofissionalidade emergiu como prática tensionada entre limites estruturais e arranjos organizacionais locais. Vulnerabilidades socioeconômicas, precariedade de infraestrutura e fragilidades na articulação da rede condicionaram a organização do cuidado e restringiram a resolutividade da APS. Em resposta, as equipes mobilizaram estratégias adaptativas, com protagonismo da enfermagem na coordenação do processo de trabalho e a atuação dos agentes comunitários de saúde na mediação entre serviços e território. Persistem, contudo, hierarquizações do modelo médico-centrado e sobrecarga assistencial, limitando a colaboração interprofissional efetiva.

Em territórios rurais vulneráveis, a interprofissionalidade configura-se menos como diretriz normativa e mais como prática situada e adaptativa. Sua consolidação requer não apenas investimentos estruturais, mas o fortalecimento de arranjos organizacionais e da educação permanente que sustentem a interprofissionalidade no cotidiano do trabalho em saúde.

(Apoio: CAPES)
PNa0190 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Distribuição sociodemográfica e evolução das condições periodontais no Brasil (2010-2023)
Phelipe Elias da Silva, Heitor Bernardes Pereira Delfino, Valeska Lacerda Domingos Garcia, Álex Moreira Herval, Catarina Machado Azeredo, Mauro Henrique Nogueira Guimarães de Abreu, Priscilla Barbosa Ferreira Soares
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo avaliou a distribuição das condições periodontais na população brasileira segundo fatores sociodemográficos, com base no SB Brasil 2023, e sua evolução por comparação com o levantamento de 2010. Incluíram-se adolescentes, adultos e idosos com pelo menos 20 dentes e dados completos (n=13858, 2010; n=18743, 2023). Foram considerados como desfechos sinais gengivais (sangramento e/ou cálculo), comprometimento periodontal (profundidade de sondagem ou perda de inserção ≥4 mm) e formas graves (≥6 mm). As variáveis independentes incluíram escolaridade, idade, sexo, raça/cor e densidade domiciliar. Gráfico acíclico direcionado orientou a seleção dos ajustes. Empregaram-se modelos de regressão de Poisson ponderados, ajustados para o delineamento amostral complexo, para a amostra total e por faixa etária. Observou-se distribuição socialmente desigual das condições periodontais. Maior escolaridade associou à menor ocorrência de formas graves em idosos (RP=0,16; IC95%: 0,06-0,44). Mulheres apresentaram menores prevalências de desfechos periodontais (RP=0,71; IC95%: 0,58-0,87). Adolescentes exibiram maior frequência de sinais gengivais (RP=2,75; IC95%: 1,83-4,12), porém menor comprometimento periodontal em relação aos idosos (RP=0,44; IC95%: 0,29-0,68). Entre adolescentes, indivíduos negros apresentaram maior probabilidade de comprometimento periodontal que brancos. Entre 2010 e 2023, observou-se redução das formas destrutivas, sobretudo em adultos e indivíduos com escolaridade intermediária, enquanto sinais inflamatórios aumentaram entre adultos.

Os achados evidenciam distribuição socialmente estruturada das condições periodontais e indicam lacunas das estratégias preventivas vigentes.

(Apoio: CNPq  N° INCT Saúde Oral e Odontologia #406840/2022-9  |  FAPEMIG  N° RED #00204-23  |  CAPES  N° #001)
PNa0191 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Expansão profissional e infrações éticas na Odontologia: uma análise do CRO Espírito Santo (2014-2024)
Isabel Braga Torquato, Amanda Cardoso Bonna, João Felipe da Paixão Pereira, Antonio Carlos Pacheco Filho, Karina Tonini dos Santos
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O estudo analisou a relação entre o crescimento do número de cirurgiões-dentistas e a ocorrência de infrações éticas registradas no Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES) entre 2014 e 2024. Conduziu-se estudo documental, retrospectivo e descritivo, com abordagem quantitativa fundamentada integralmente em dados secundários. A coleta de dados ocorreu em duas etapas: primeiramente, o levantamento dos 1.839 Processos Ético-Profissionais (PEPs) instaurados e/ou julgados pelo CRO-ES no período; em seguida, a obtenção anual do quantitativo de dentistas ativos via Conselho Federal de Odontologia. A tendência temporal da taxa anual de infração foi avaliada por regressão linear simples (p<0,05). Observou-se aumento de 61% no número de profissionais (5.229 para 8.430), enquanto as denúncias cresceram 465% (60 para 339), elevando a taxa de 1,15% para 4,02%. A regressão indicou tendência de crescimento estatisticamente significante (p=0,00045; R²=0,2533), com incremento médio anual de 0,203 pontos percentuais. Quanto às três categorias de origem das infrações classificadas pelo Conselho, as denúncias distribuíram-se em: ex-officio (75,53%), categoria com maior incidência e majoritariamente vinculada à publicidade irregular; paciente x profissional (21,21%); e profissional x profissional (3,26%).

Concluiu-se que o crescimento desproporcional das infrações evidencia o caráter multifatorial do fenômeno, sugerindo influência da mercantilização e de estratégias agressivas de autopromoção. Os achados reforçam a necessidade de fortalecimento da formação ética longitudinal na graduação e do aprimoramento da fiscalização institucional frente aos novos desafios do mercado.

PNa0192 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Transformação Digital e o Uso de Tecnologias na Saúde Pública: Uma Revisão Sistemática sobre Avanços e Desafios
Giovanna Sousa Oliveira Chagas, Maria Eduarda Ribeiro da Silva, Maria Fernanda Faustino Mesquita, Maria de Lara Araujo Rodrigues, Mirella Jammal Custodio Freitas E. Silva, Eduarda Betiati Menegazzo, Jaqueline Vilela Bulgareli
odontologia UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Introdução: O avanço tecnológico na última década transformou a gestão da saúde, otimizando o fluxo de trabalho e o acompanhamento de pacientes por meio de dispositivos móveis e sistemas de informação. Contudo, a implementação dessas ferramentas no serviço público ainda enfrenta lacunas de padronização e acesso. Objetivo: Identificar como a implementação de tecnologias digitais impacta a qualidade dos atendimentos aos usuários da rede pública de saúde. Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática com protocolo registrado no PROSPERO (CRD420251104500). A busca foi conduzida entre agosto e novembro de 2024 nas bases PubMed, Scopus, Web of Science, LILACS, EMBASE, BVS, Open Grey e Open Thesis. Utilizou-se a estratégia PICO para definir: População (usuários da rede pública), Exposição (softwares/aplicativos odontológicos e de saúde), Comparação (processos tradicionais) e Desfecho (qualidade do atendimento). Os critérios de inclusão selecionaram estudos primários publicados entre 2019 e 2024. Resultados: Foram incluídos 9 artigos relevantes. Os dados indicam que o uso de ePROMs (medidas de resultados informados pelo paciente de forma eletrônica) melhora a precisão na coleta de dados, a comunicação paciente-profissional e a eficiência do monitoramento remoto. Observou-se alta aceitação e satisfação dos usuários com ferramentas personalizadas. Entretanto, persistem lacunas na integração dos aplicativos com prontuários eletrônicos (EHRs) e na oferta de informações básicas, como horários e locais de acesso ao serviço.

O uso de ferramentas digitais eleva o padrão do atendimento no setor público ao estimular a participação ativa e a autonomia do paciente, mas o êxito depende de integração sistêmica e inclusão digital.

(Apoio: CAPES  N° 001)
PNa0193 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

Orientação da Atenção Primária à Saúde e utilização de serviços odontológicos no Brasil: análise da Pesquisa Nacional de Saúde 2019
Márcia Martins Galetto, Caroline Desconsi Mozzaquatro, Natalia Boessio Tex de Vasconcellos, Maria Laura Braccini Fagundes, Orlando Luiz do Amaral Júnior, Jessye Melgarejo do Amaral Giordani
Programa de Pós-Graduação em Ciências Od UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo objetivou estimar a prevalência de utilização de serviços odontológicos nos últimos 12 meses e analisar sua associação com a orientação da Atenção Primária à Saúde (APS) entre usuários adultos e idosos no Brasil. Trata-se de estudo transversal com dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, incluindo 9.396 indivíduos com 18 anos ou mais que referiram utilização de Unidades de Atenção Primária. O desfecho foi a utilização de serviço odontológico nos últimos 12 meses, e a principal exposição foi a orientação da APS, mensurada pelo escore global do Primary Care Assessment Tool, dicotomizado em alta e baixa orientação. As análises consideraram o desenho complexo da amostra e utilizaram regressão logística ajustada. A prevalência foi de 47,5% (IC95%: 45,1-48,7), e maior utilização foi observada entre indivíduos vinculados a serviços com alta orientação da APS (OR=1,32; IC95%: 1,13-1,53).

Maior orientação da Atenção Primária à Saúde esteve associada à maior utilização de serviços odontológicos, independentemente de fatores demográficos e socioeconômicos, indicando que características organizacionais dos serviços devem ser consideradas na análise de acesso. O fortalecimento da atenção primária e a integração da saúde bucal na rede de atenção constituem estratégias relevantes para ampliar o acesso e reduzir desigualdades em saúde.

PNa0194 - Painel Aspirante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco A - Azul

O papel da interseccionalidade nas consequências pulpares da cárie não tratada em adolescentes brasileiros: análise do SB Brasil 2023
Gabriela Scortegagna de Souza, Maria Laura Braccini Fagundes, Fernando Neves Hugo, Juliana Balbinot Hilgert, Jessye Melgarejo do Amaral Giordani, Gabriela Marzullo de Abreu, Liz Natalia Gonzalez Arguello, Orlando Luiz do Amaral Júnior
Estomatologia UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Examinar diferenças na ocorrência de consequências da cárie dentária não tratada (envolvimento pulpar, ulceração, fístula e abscesso - PUFA) segundo posições sociais interseccionais definidas por sexo, cor da pele e renda familiar entre adolescentes. Analisaram-se dados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), com delineamento amostral probabilístico estratificado em múltiplos estágios, representativo de adolescentes de 15-19 anos. As variáveis sociais foram combinadas em oito grupos interseccionais. Os desfechos incluíram prevalência de PUFA ≥1 e contagens de seus componentes. Utilizou-se regressão de Poisson com variância robusta e interação de três vias em amostra complexa, seguida da estimativa de margens preditas. A amostra compreendeu 8.041 adolescentes. Observou-se maior ocorrência de PUFA ≥1 entre homens negros de baixa renda (RP=5,93; IC95%: 2,60-13,51) e mulheres negras de baixa renda (RP=4,06; IC95%: 1,85-8,90), em comparação aos homens brancos de maior renda (referência). As prevalências preditas variaram de 4,0% (IC95%: 2,0-7,0) nesse grupo a 21,0% (IC95%: 11,0-32,0) entre homens negros de baixa renda. Entre mulheres, foram 15,0% (IC95%: 9,0-20,0) para negras de maior renda, 16,0% (IC95%: 5,0-28,0) para brancas de baixa renda e 18,0% (IC95%: 12,0-24,0) para negras de baixa renda.

Evidenciam-se desigualdades interseccionais na ocorrência de PUFA, com maior carga entre adolescentes negros de baixa renda. Estratégias devem priorizar a equidade na organização do cuidado em saúde bucal, com ampliação da cobertura e garantia de acesso oportuno e resolutivo aos serviços, de modo a enfrentar desigualdades sociais e raciais.

(Apoio: CAPES  N° 001)



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