9 a 12 de Setembro de 2026 | São Paulo / SP

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Resumos Aprovados 2026

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PIe0358 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Anomia em voga: documentário sobre os desafios no acesso à saúde bucal por pessoas em situação de rua
Otávio Enrico Braga-Prado, Thallys Rodrigues Félix, Álex Moreira Herval
FOUFU UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este trabalho teve como objetivo apresentar o relato da construção de um documentário voltado à invisibilidade social e aos desafios de acesso à saúde bucal vivenciados pela população em situação de rua. Foi produzido um documentário organizado na lógica do estudo de caso qualitativo. O desenvolvimento do trabalho ocorreu em etapas, sendo elas: 1) idealização e produção do roteiro; 2) coleta do material audiovisual (imagens e entrevistas com pessoas em situação de rua e cirurgiões-dentistas); 3) interpretação e organização do material audiovisual; 4) edição e finalização do documentário. O documentário final apresentou duração de 15 minutos e abordou temas como acesso aos serviços de saúde bucal, autopercepção do cuidado odontológico, impactos psicossociais, experiências de exclusão e o papel das políticas públicas no atendimento a essa população. Os relatos evidenciaram múltiplas barreiras de acesso, incluindo estigma, dificuldades estruturais e baixa adesão aos cuidados, além de destacarem a precariedade das condições de vida e seus reflexos na saúde bucal.

O documentário se configura como uma ferramenta potente de sensibilização e reflexão crítica, contribuindo para a visibilidade da população em situação de rua e para o debate sobre equidade no acesso à saúde. A produção reforça a necessidade de estratégias intersetoriais e de práticas profissionais mais humanizadas, capazes de reconhecer as especificidades desse grupo e superar barreiras para o cuidado odontológico.

(Apoio: CAPES  N° 001  |  FAPs - FAPEMIG  N° RED-00204-23  |  CNPq  N° 406840/2022-9)
PIe0359 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Trauma facial na identificação de abuso sexual infantil: revisão de literatura
Rafaela Bolzan Tamiosso, Jessye Melgarejo do Amaral Giordani, Maria Laura Braccini Fagundes, Ana Júlia Romanini, Laura Gonzales Pereira, Arthur Menezes da Costa, Thiago Gargaro Zamarchi, Orlando Luiz do Amaral Júnior
Estomatologia UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O abuso sexual infantil é reconhecido como violação dos direitos humanos, conforme o artigo 217-A do Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei nº 2.848/1940) e a definição da Organização Mundial da Saúde. Lesões orofaciais decorrentes dessa violência apresentam alta frequência e podem atuar como marcadores clínicos para identificação de casos, considerando o acometimento da região de cabeça e pescoço. A presente revisão tem como objetivo descrever as características físicas do trauma facial que podem auxiliar na identificação de casos de abuso sexual infantil. As evidências mostram que o trauma orofacial nesse contexto inclui fraturas mandibulares, fraturas dentárias coronárias, deslocamentos dentários, lacerações em lábios e mucosa jugal, e hematomas periorbitais. A prevalência de lesões na cabeça e pescoço em vítimas é de 60,9%, com maior ocorrência na face (65%), ossos nasais (61,5%) e dentes anteriores (62,5%). Essas lesões podem causar dor, comprometimento estético e limitação funcional da mastigação, fala e deglutição. A ocorrência em ambiente domiciliar e a ausência de testemunhas dificultam a suspeita clínica e favorecem a subnotificação. A descrição de padrões de lesão facial na literatura indica que a análise clínica dessas características pode contribuir para o reconhecimento precoce do abuso sexual infantil. O registro detalhado das lesões e a articulação com equipes multiprofissionais são estratégias importantes para o encaminhamento e a proteção da vítima.

O trauma facial associado ao abuso sexual infantil é um achado clínico descrito na literatura, com potencial para auxiliar na detecção de casos. A capacitação profissional para identificar e documentar essas lesões é necessária para o diagnóstico e a notificação.

PIe0360 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Acupuntura no tratamento de dor orofacial: overview de revisões sistemáticas
Gabriela Borges de Sousa, Franklin Teixeira de Salles Neto, Camila Megale Almeida-leite, Janice Simpson de Paula
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Dor orofacial é toda dor associada a tecidos moles e mineralizados da cavidade oral e da face. Seu manejo requer abordagem multidisciplinar, sendo a acupuntura uma técnica não farmacológica promissora. Objetiva-se analisar a efetividade da acupuntura no tratamento da dor orofacial (DOF). Foi realizada uma overview de revisões sistemáticas (RS) que incluíssem ensaios clínicos randomizados (ECR) sobre a acupuntura como intervenção terapêutica em pacientes com qualquer dor orofacial descrita na Classificação Internacional de Dor Orofacial (ICOP), exceto odontalgias e cefaleias. A busca foi feita nas bases Cochrane, Pubmed, Web of Science, Scopus, Biblioteca Virtual em Saúde e EMBASE, incluindo artigos científicos em inglês, português e espanhol, sem restrição de data. Foram identificados 1188 estudos, dos quais 26 atenderam aos critérios de elegibilidade e 17 usaram metanálises. Publicados entre 1999 e 2025, 25 destes artigos e 16 metanálises demonstraram resultados positivos para a acupuntura no tratamento das seguintes DOF: disfunção temporomandibular (DTM), neuralgia trigeminal, síndrome da ardência bucal (SAB) e dor miofascial orofacial. Os resultados apontam para redução da dor, especialmente a curto prazo e em sinergia com terapias convencionais. Contudo, a maioria das revisões sistemáticas destacam que os estudos incluídos apresentaram limitações metodológicas, o que reduz a qualidade de evidência.

Diante do exposto, a acupuntura apresenta evidência sugestiva de efetividade e pode ser uma possibilidade terapêutica para DTM, neuralgia trigeminal, SAB e dor miofascial orofacial. Contudo, faz-se necessário o aprimoramento metodológico dos ECR e consequente qualidade das RS para uma prática baseada em evidências.

PIe0361 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Discriminação percebida e saúde bucal: o papel moderador de fatores socioeconômicos em idosos brasileiros
Larissa da Silva Portella, Gabriele Cavalheiro Rodrigues, Laura Gonzales Pereira, Telmo Silva Farias, Thiago Gargaro Zamarchi, Orlando Luiz do Amaral Júnior, Jessye Melgarejo do Amaral Giordani, Maria Laura Braccini Fagundes
Estomatologia UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O envelhecimento populacional torna urgente a compreensão dos determinantes sociais que afetam a saúde bucal de idosos, entre os quais a discriminação percebida emerge como fator relevante. Este estudo analisou o efeito moderador da renda e escolaridade na associação entre discriminação percebida e pior qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB) em idosos brasileiros. Estudo transversal com dados da segunda onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil, 2019). O desfecho foi pior QVRSB avaliada pelo Oral Impact on Daily Performances (OIDP); a exposição principal foi discriminação percebida autorrelatada. Razões de prevalência (RP) foram estimadas por regressão de Poisson com ajuste para variáveis socioeconômicas e demográficas. Termos de interação entre discriminação percebida e renda domiciliar per capita e escolaridade foram incluídos separadamente para testar a moderação. No modelo ajustado (n=8.624), indivíduos que perceberam discriminação apresentaram maior prevalência de pior QVRSB (RP=1,73; IC95%: 1,38-2,15). Na análise de moderação, nem a renda (RP=0,99; IC95%: 0,77-1,27) nem a escolaridade (RP=0,96; IC95%: 0,77-1,20) modificaram essa associação.

A discriminação percebida associou-se à pior QVRSB independentemente do nível socioeconômico, reforçando seu papel como determinante estrutural da saúde bucal e apontando para a necessidade de estratégias de enfrentamento das iniquidades em saúde na promoção do envelhecimento saudável.

PIe0362 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Cobertura assistencial da atenção primária à saúde para população em situação de rua no Brasil
Jéssica Rezende de Oliveira, Ana Vitória Cruvinel Canozzo, Thallys Rodrigues Félix, Álex Moreira Herval
Odontologia UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A população em situação de rua enfrenta barreiras no acesso aos serviços de saúde. Ainda que existam políticas públicas voltadas a esse público, como os Consultórios na Rua, a adesão pelos municípios ainda é incipiente. Diante disso, buscou-se analisar a correlação entre cobertura dos Consultórios na Rua e as variáveis assistenciais e sociodemográficas dos municípios que aderiram a essa política. Trata-se de estudo ecológico e retrospectivo, com dados secundários dos últimos dez anos. Foram incluídos municípios com registro de equipes de Consultório na Rua e utilizados os dados do DATASUS, e-Gestor APS, SISAB e IBGE. As variáveis analisadas incluíram número de equipes do Consultório na Rua, número de consultas individuais, cobertura da atenção primária, população residente, Índice de Desenvolvimento Humano, Produto Interno Bruto per capita, população ocupada, esgotamento sanitário adequado e salário médio mensal. Realizou-se análise descritiva e inferencial por meio do teste de Spearman. Foram identificadas 151 equipes, com maior concentração nas regiões Sudeste (n=75) e Nordeste (n=33). Observou-se associação entre o número de consultas e a cobertura da atenção primária (p=0,008), sem associação com as variáveis sociodemográficas.

Os achados evidenciam que a organização da atenção primária constitui fator determinante para a capacidade operacional das equipes, enquanto o contexto social municipal não se mostrou associado, possivelmente em função da elevada vulnerabilidade dessa população, reforçando a necessidade de fortalecimento das políticas públicas e ampliação da cobertura assistencial.

(Apoio: CAPES  N° 001  |  FAPEMIG  N° RED-00204-23  |  CNPq INCT Saúde Oral e Odontologia  N° 406840/2022-9)
PIe0363 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Vulnerabilidade ao declínio funcional em pessoas idosas e saúde bucal autorreferida: estudo no contexto da Atenção Primária à Saúde
Vitoria Su Tyng Hsu, Vitor Soares da Silva Lessa, Deison Alencar Lucietto, Andréa Neiva da Silva
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

As evidências sobre a associação entre vulnerabilidade ao declínio funcional e saúde bucal em pessoas idosas são limitadas. O estudo teve por objetivo comparar indicadores autorreferidos de saúde bucal entre idosos vulneráveis e não vulneráveis. Trata-se de estudo transversal conduzido com 190 pessoas idosas usuárias de uma unidade de atenção primária à saúde (APS) localizada no noroeste do estado do Rio de Janeiro. Por meio de questionários, foram coletados dados sociodemográficos, indicadores autorreferidos de saúde bucal e a vulnerabilidade ao declínio funcional, avaliada pela escala Vulnerable Elders Survey-13. Os dados foram analisados por meio do teste qui-quadrado (α= 5%). A média de idade dos participantes foi de 74,5 anos, sendo 58,4% do sexo feminino. Do total, 42,1% dos idosos foram classificados como vulneráveis. Em comparação aos não vulneráveis, os idosos vulneráveis apresentaram maior frequência de pior autopercepção da saúde bucal (56,2% versus 30,9%), intervalo superior a três anos desde a última consulta odontológica (75,0% versus 36,4%), necessidade percebida de tratamento dentário (58,8% versus 35,5%) e necessidade de uso ou troca de prótese total (47,5% versus 9,1%), p≤0,001.

Idosos classificados como vulneráveis apresentaram piores indicadores autorreferidos de saúde bucal, menor utilização recente de serviços odontológicos e maior frequência de necessidades odontológicas autorreferidas, especialmente tratamento dentário e uso ou troca de prótese total. O rastreamento da vulnerabilidade de pessoas idosas na APS pode contribuir para a identificação daquelas com piores indicadores autorreferidos de saúde bucal, subsidiando práticas mais equitativas e integradas no cuidado à pessoa idosa.

(Apoio: Programa Institucional de Bolsa de Iniciação Científica UFF  N° 2025-2026)
PIe0364 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Never Events nos serviços de Odontologia: um retrato do sistema de informação nacional
Elaine Cristina Alves Roque Calazans Barros, Renata Costa Jorge, Roberta Costa Jorge
Odontologia Legal e Saúde Coletiva UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A Segurança do Paciente constitui um dos principais eixos da qualidade em saúde, sendo fundamental para a redução de riscos e a prevenção de danos antes, durante e após a prestação de cuidados em saúde. Esse tema ganhou maior visibilidade a partir da magnitude dos eventos adversos no mundo e da implantação de políticas públicas e instrumentos normativos voltados ao monitoramento de incidentes. No ano de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária instituiu uma lista de never events aplicáveis à assistência odontológica brasileira que devem ser notificados pelos serviços de saúde e monitorados pelo Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. O objetivo deste trabalho é apresentar o quantitativo de registros de never events notificados ao Sistema Notivisa no primeiro quadrimestre de sua instituição nacional (setembro a dezembro de 2025). Os dados foram extraídos por acesso público no mês de maio/2026, no Módulo Assistência à Saúde do Notivisa, por "Tipo de Incidente e Grau de Dano". Dos 119.096 incidentes notificados pelos serviços de saúde no período, apenas 01 se refere ao serviço odontológico: falha na identificação do paciente, considerado incidente sem dano. Este resultado aponta para a ausência de registro de never events em serviços de odontologia do país no período de análise. Destaca-se a possibilidade de subnotificação dos casos, bem como a incipiência da divulgação sobre essa atualização do Notivisa e as limitações no tabulador do sistema.

Portanto, conclui-se pela necessidade de ampliar a divulgação do tema em fóruns, comunidade científica, profissionais e gestores a fim de qualificar o sistema e o debate teórico e crítico sobre a segurança do paciente na odontologia no Brasil.

PIe0365 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Impacto do serviço odontológico público e privado na qualidade de vida relacionada à saúde bucal de pacientes oncológicos
Luisa Diniz de Carvalho, Mônica Kasalinskaja Corrêa Godoi, Giovana Campana Aragão, Ana Beatriz Macedo Vieira Costa, Barbara Maria de Souza Moreira Machado, Leandro Araújo Fernandes, Eduardo José Pereira Oliveira, Daniela Coêlho de Lima
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O câncer e suas terapias podem causar impactos significativos na saúde e na qualidade de vida dos pacientes. Esse estudo avaliou a relação entre o tipo de serviço odontológico utilizado na última consulta (público ou privado) e a QVRSB, mensurada pelo QLQ-OH15, em pacientes oncológicos. Participaram 441 adultos em tratamento oncológico em Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) de referência da macrorregião Sudoeste de Minas Gerais. Condições sociodemográficas, saúde geral, saúde bucal e qualidade de vida foram avaliadas por meio de entrevistas. Foram realizadas análises bivariadas e múltiplas para avaliar a associação entre o tipo de serviço odontológico utilizado na última consulta e o QLQ-OH15, utilizando-se modelos lineares generalizados. A amostra apresentou média de idade de 61,06 anos, com predomínio do sexo feminino (53,97%). A maioria dos participantes utilizou serviço odontológico privado na última consulta (66,97%). O escore médio de QVRSB foi de 82,09. Indivíduos que utilizaram o serviço público apresentaram piores escores de QVRSB quando comparados aos usuários do serviço privado, independentemente de condições socioeconômicas, saúde geral e bucal (p=0,002).

Conclui-se que a maioria dos pacientes oncológicos utilizou serviço odontológico privado. Além disso, indivíduos atendidos no serviço público apresentaram pior QVRSB quando comparados aos usuários do serviço privado. Esses achados reforçam a necessidade de maior atenção à saúde bucal da população oncológica no sistema público, com implementação de medidas direcionadas à prevenção e ao manejo dos efeitos das terapias sobre a QVRSB.

(Apoio: CNPq  |  CNPq  N° 145544/2025-7)
PIe0366 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Efeito de cartaz educativo com QR Code sobre lesões dentárias traumáticas no ambiente escolar
Júlia Magalhães Soares, Letícia Aires Rosa, Arlete Maria Gomes Oliveira, Flávia Martão Flório
FACULDADE DE ODONTOLOGIA SÃO LEOPOLDO MANDIC
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

As lesões dentárias traumáticas (LDT) são frequentes no ambiente escolar, onde professores podem atuar como primeiros socorristas. Este estudo avaliou o efeito de um cartaz educativo com QR Code no conhecimento sobre condutas imediatas em LDT e na aceitabilidade autorreferida da estratégia por adultos da comunidade escolar. Trata-se de estudo experimental, quantitativo, conduzido com profissionais de duas escolas municipais do interior de São Paulo. Participaram 21 profissionais em T0/T1 e 12 em T2, devido à saída de nove da escola. Os participantes responderam questionário em 3 momentos: pré-intervenção (T0), 15 dias (T1) e três meses (T2). Após T0, cartazes foram afixados em locais de circulação, sem mediação direta. As respostas foram classificadas como corretas ou incorretas com base no conteúdo validado do gibi educativo que fundamentou a intervenção. As análises consideraram os respondentes disponíveis em cada comparação. As proporções de acertos foram analisadas pelo teste de Cochran e por McNemar (α=5%). Observou-se aumento significativo nos acertos para possibilidade de salvar o dente (38,1%; 85,0%; 100,0%; p=0,0008), meio de transporte adequado (47,6%; 88,9%; 100,0%; T0-T1: p=0,039; T0-T2: p=0,008), tempo crítico para reimplante (14,3%; 40,0%; 66,7%; p=0,018) e fratura coronária (42,9%; 75,0%; 83,3%; p=0,015). Adicionalmente, 85,7% (18/21) notaram o cartaz em T1 e 100,0% (12/12) em T2. Entre os elegíveis, 100,0% leram o conteúdo, e o uso do QR Code aumentou de 6,7% (1/15) para 45,5% (5/11). O material foi bem avaliado quanto à clareza, coerência e atratividade.

O cartaz melhorou conhecimentos sobre condutas em LDT e apresentou boa aceitabilidade, indicando potencial para educação permanente em saúde escolar.

(Apoio: Programas Institucionais de Iniciação Científica da Faculdade São Leopoldo Mandic)
PIe0367 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Barreiras territoriais e qualidade de vida relacionada à saúde bucal de idosos: análise do ELSI-Brasil
Carolyna Nataly Firmino, Izadora Chimendes Rodrigues, Rafaela Bolzan Tamiosso, Anna Carolina Portella Quaiatto, Thiago Gargaro Zamarchi, Orlando Luiz do Amaral Júnior, Jessye Melgarejo do Amaral Giordani, Maria Laura Braccini Fagundes
Estomatologia UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A mobilidade urbana constitui um determinante social ainda negligenciado nas políticas de saúde bucal, especialmente em populações mais velhas sujeitas a barreiras territoriais que limitam o acesso a serviços e comprometem o bem-estar. Este estudo avaliou a associação entre barreiras territoriais e a Qualidade de Vida Relacionada à Saúde Bucal (QVRSB) em adultos mais velhos. Estudo transversal com dados da segunda onda do Estudo Longitudinal de Saúde do Idoso (ELSI-Brasil 2019). O desfecho foi a QVRSB mensurada pelo Oral Impacts on Daily Performances (OIDP; 0-9 impactos). As barreiras territoriais foram operacionalizadas por dificuldade no uso do transporte público e preocupação em atravessar ruas. As análises foram ajustadas por sexo, cor da pele, idade, escolaridade, renda domiciliar, uso de prótese e motivo da última consulta odontológica, com regressão de Poisson e variância robusta para estimativa de razões de taxas (RT) e intervalos de confiança (IC) de 95% considerando o desenho amostral complexo (Stata 19.5). Foram incluídos 6.959 indivíduos. Dificuldade com transporte público (RT=1,42; IC95%: 1,31-1,54) e preocupação em atravessar ruas (RT=1,42; IC95%: 1,25-1,61) associaram-se à maior média de impactos na QVRSB.

Barreiras territoriais relacionadas à mobilidade urbana estão associadas a pior QVRSB em adultos mais velhos, reforçando a importância de determinantes contextuais no planejamento de políticas de saúde bucal.




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