9 a 12 de Setembro de 2026 | São Paulo / SP

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Resumos Aprovados 2026

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PIa0063 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

As vozes da ciência odontológica global são distribuídas de forma equitativa?
Isabella Fernanda Baptista, Bruna de Paula Nogueira, Olivia Santana Jorge, Matheus Lotto , Daniela Rios, Thiago Cruvinel
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - BAURU
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo objetivou analisar os metadados de palestrantes convidados das Sessões Gerais da International Association for Dental, Oral, and Craniofacial Research (IADR), com foco na distribuição geográfica e de gênero. Para tanto, foi realizado um estudo retrospectivo baseado em dados secundários, no qual modelos computacionais desenvolvidos em Python 3 foram empregadas para coleta e análise dos metadados referentes ao período de 2003 a 2025. Os palestrantes foram estratificados segundo a localização geográfica de suas afiliações institucionais, com categorização em Norte Global e Sul Global. Adicionalmente, a classificação de gênero foi realizada de forma automatizada, com posterior confirmação manual por avaliador independente. Observou-se baixa participação de palestrantes vinculados ao Sul Global nas duas primeiras décadas analisadas, geralmente inferior a 10%. A partir de 2021, houve incremento expressivo, com proporções próximas de 30%; entretanto, esse avanço não se manteve nos anos subsequentes, sugerindo inserção instável. Quanto ao gênero, a participação feminina permaneceu inferior à masculina em todo o intervalo analisado, embora tenha aumentado progressivamente. Em 2004, apenas 25% dos palestrantes convidados eram mulheres, ao passo que, em 2024, essa proporção atingiu 49%, aproximando-se da paridade.

Os achados evidenciam assimetrias persistentes na representatividade geográfica e de gênero entre palestrantes convidados das Sessões Gerais da IADR. Apesar dos avanços observados, a equidade na composição desse grupo ainda não se mostrou plenamente sustentada ao longo do período analisado.

(Apoio: FAPESP  N° 2025/07860-2)
PIa0064 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Avaliação do nível de conhecimento clínico e técnico sobre raspagem e alisamento radicular entre estudantes de graduação em odontologia
Mário Andrade da Silva, Manoella Santiago Almeida Lima, João Daniel Mendonça de Moura, Roberta Pimentel de Oliveira, Patrícia de Almeida Rodrigues , Sílvio Augusto Fernandes de Menezes, Ricardo Roberto de Souza Fonseca, Cristiane de Melo Alencar
CLÍNICA ODONTOLÓGICA CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO PARÁ
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O objetivo deste estudo foi avaliar o nível de conhecimento clínico e técnico de estudantes de odontologia sobre raspagem e alisamento radicular (RAR) e identificar lacunas para orientar o desenvolvimento de recursos educacionais digitais. Realizou-se um estudo transversal entre janeiro e agosto de 2025 com 105 estudantes distribuídos em três grupos: G1 (1º ao 3º semestre), G2 (4º ao 7º) e G3 (8º ao 10º). Os dados foram coletados por formulário digital com questões epidemiológicas e técnicas, em formatos dicotômicos e de múltipla escolha, abordando identificação de instrumentos periodontais, indicações clínicas, princípios operatórios, efeitos pós-RAR, preensão e ergonomia profissional-paciente. As análises utilizaram testes Qui-quadrado e G (p≤0,05). Houve discrepâncias significativas na exposição teórica e prática à RAR (p<0,0001). O desempenho revelou lacunas importantes: 63,8% identificaram corretamente curetas de Gracey, enquanto menos da metade reconheceu raspadores de foice (52,4%) e enxadas (46,7%). Observou-se diferença significativa entre os grupos na distinção entre instrumentos cirúrgicos e não cirúrgicos (p<0,0001). Além disso, verificou-se déficit em habilidades operatórias, especialmente na ergonomia (53,3%) e na técnica de preensão (6,7%), evidenciando fragilidade no treinamento psicomotor pré-clínico.

. O estudo demonstra fragilidades no ensino de Periodontia, indicando necessidade de reestruturação curricular nas faculdades de odontologia do norte do Brasil.

PIa0065 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Análise temporal do perfil da produção científica voltada para equidade racial e gênero na SBPqO
Giovanna Caetano da Silva, Isabella Soares Dos Santos Sol, Camila Lima da Silva Felippe, Tamires Santos de Melo, Flávia Neves de Andrade, Maria Isabel de Castro de Souza
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo bibliométrico, retrospectivo e quantitativo traçou o perfil das pesquisas sobre equidade racial e de gênero nos anais da SBPqO entre 2010 e 2025, tomando como marco a Lei nº 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial). A coleta e análise de dados utilizaram ferramentas de inteligência artificial com apoio de LLM (Manus e Perplexity IA) e Técnica de Classificação Analítica, examinando 43.687 resumos. 97 (0,22%) foram inicialmente selecionados pela IA com base em descritores DeCS/MeSH relacionados à equidade, em português, inglês e espanhol, sendo distribuídos em cinco categorias temáticas (A-E). Para o treinamento da IA, 10 publicações foram previamente selecionadas e categorizadas manualmente em PubMed e Google Acadêmico. Após novo processamento dos anais pela IA, 64 resumos (0,15%) foram confirmados e classificados, e variáveis como ano, autoria, instituição, região, tipo de estudo e financiamento foram analisadas por estatística descritiva. A categoria A concentrou 68,8% (44) dos trabalhos, destacando pesquisas sobre saúde bucal de comunidades quilombolas e desigualdades raciais no acesso a serviços odontológicos. Os anos de 2010, 2012, 2014, 2015 e 2017 não registraram trabalhos nessa temática.

Observou-se aumento de produções nos últimos anos, com destaque para 2022 a 2025 (54,7% dos resumos), porém ainda há escassez de estudos sobre equidade racial e de gênero apresentados na SBPqO.

PIa0066 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Redução da Escala de Lócus de Controle em Saúde Bucal: Otimização Psicométrica por Processamento de Linguagem Natural e Bioinspiração
Ana Luisa Sena Albuquerque, Myrelle Leal Campos Sousa, Anelise Alves Silva de Souza, Paulo César da Silva Filho, Saul Martins Paiva, Ana Flávia Granville-garcia, Matheus de França Perazzo
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Visando otimizar a viabilidade clínica do Locus of Control Scale for Oral Health Behavior (LOCOH) no Brasil, este estudo teve como objetivo refinar e reduzir a escala por meio de uma abordagem computacional híbrida. Trata-se de um estudo metodológico conduzido em duas etapas e dois centros de pesquisa. Inicialmente, os 16 itens do LOCOH foram avaliados pelo Modelo de Processamento de Linguagem Natural (via Python), para gerar uma matriz de similaridade semântica e identificar itens redundantes, a qual evidenciou que determinados itens apresentavam identidade semântica elevada, justificando a redução racional do instrumento para eliminar redundâncias. Em seguida, partiu-se para a avaliação empírica do instrumento aplicado em amostra de 277 adultos na cidade de Campina Grande, Paraíba. Aplicou-se o Algoritmos de Colônia de Formigas (via Stata versão 13.1) para selecionar um subconjunto otimizado de 8 itens. A versão reduzida foi aplicada em uma nova amostra de adultos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Goiás. A evidência de validade estrutural final foi verificada por Análise Fatorial Confirmatória (via Mplus versão 8.8). Na amostra da Paraíba, a versão reduzida apresentou bons parâmetros de ajuste (CFI = 0.967; RMSEA = 0.048), boas cargas fatoriais para locus externo (ω = 0.79) e limítrofes para locus interno (ω = 0.65). Em Goiás, a estrutura também apresentou um bom ajuste do modelo, apesar de algumas cargas fatoriais inferiores a 0,50.

A versão reduzida do LOCOH possui evidências de validade e confiabilidade que podem potencializar a avaliação do lócus de controle em saúde bucal no contexto brasileiro, favorecendo sua incorporação em estudos epidemiológicos de larga escala e na rotina clínica odontológica.

(Apoio: CNPq  N° 420299/2023-8  |  CNPq  N° 406840/2022-9  |  CAPES  N° 001)
PIa0067 - Painel Iniciante
Área: 9 - Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais / Odontologia Hospitalar

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Produção de um guia clínico para tomada de decisão em odontologia no contexto do HIV
Giselle de Medeiros Silva, Beatriz Braga Tenório, Diego Belmiro, Michelle Agostini, Lucianne Cople Maia, Bruno Augusto Benevenuto de Andrade, Jefferson da Rocha Tenorio, José Alcides Almeida de Arruda
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A atuação odontológica em pessoas vivendo com HIV apresenta desafios relacionados às mudanças no perfil clínico da infecção. A terapia antirretroviral reduziu manifestações orais clássicas e ampliou condições associadas ao envelhecimento, comorbidades e polifarmácia. O objetivo foi desenvolver um guia clínico baseado em evidências para o manejo odontológico de pessoas vivendo com HIV. Realizou-se revisão narrativa da literatura com inclusão de publicações dos últimos 10 anos, com ênfase em estudos clínicos e diretrizes nacionais e internacionais, seguida da síntese e organização das evidências. O conteúdo abrangeu distinção entre HIV e AIDS, fases da infecção, riscos de transmissão, terminologia adequada, acidentes ocupacionais, manifestações orofaciais, manejo clínico, exames complementares, terapia antirretroviral e interações medicamentosas, além de profilaxia pós-exposição. O produto foi validado por quatro docentes especialistas. Como resultado, foi desenvolvido um e-book estruturado como guia clínico, com abordagem sistematizada e aplicável à prática.

Conclui-se que o material constitui ferramenta baseada em evidências, com potencial para qualificar o atendimento odontológico e promover maior segurança clínica.

(Apoio: CNPq  N° 105443/2026-3)
PIa0068 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Tendências da produção científica sobre o SUS nos anais da SBPqO (2015-2025): análise bibliométrica
Fernando de Castro Lira do Carmo, Thaíssa do Nascimento Dias, Gabriele Carneiro Martins, Arthur Blasco, Isabella Soares Dos Santos Sol, Raphaela Marino Carvalho, Maria Clara de Jesus Santos, Katlin Darlen Maia
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Com objetivo de analisar o perfil e as tendências da produção científica relacionada ao Sistema Único de Saúde (SUS) publicadas nos anais da SBPqO, entre 2015 e 2025, realizou-se um estudo bibliométrico nos anais do evento utilizando os descritores "SUS", "Sistema Único de Saúde", "Saúde Pública" e "Saúde Coletiva". A coleta dos dados foi realizada em dados públicos, com organização das informações em planilhas no Google Sheets. De 1088 resumos identificados, 556 foram selecionados após triagem e remoção de duplicatas. A análise temática foi conduzida com auxílio de Inteligência Artificial generativa (fine-tuning) para classificação em eixos. Os dados foram apresentados por estatística descritiva. O volume de publicações foi crescente, com pico em 2025 (19,78%) e mínima em 2019 (4,68%). Predominaram estudos transversais (51,08%) e a categoria Painel Aspirante/Efetivo (37,95%). A região Sudeste concentrou a produção (52,52%), com destaque para São Paulo (27,16%) e para as instituições UFMG (9,35%) e UNESP Araçatuba (6,65%). Embora instituições públicas realizem 75,36% das pesquisas, 61,69% de todos os trabalhos não reportaram fomento. Os eixos prevalentes foram Gestão (28,78%), Epidemiologia (17,09%) e Acesso (15,83%).

Observa-se uma expansão recente na produção científica sobre o SUS na SBPqO, fortemente sustentada por universidades públicas do Sudeste. Persiste a necessidade de descentralização regional e ampliação do fomento para fortalecer a pesquisa em saúde pública no Brasil.

PIa0069 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Necessidade normativa de tratamento e utilização de serviços odontológicos em crianças brasileiras: evidências do SB Brasil 2023
Viviane C. Souza, Larissa Souza Ferreira, Luiza de Jesus Queiroz, Viviane da Conceição Moreira, Amanda Vieira da Silva de Oliveira, Lorena Lúcia Costa Ladeira
INSTITUTO FLORENCE DE ENSINO SUPERIOR
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A utilização de serviços odontológicos na infância é essencial para a prevenção de doenças bucais, mas nem sempre ocorre de forma proporcional às necessidades clínicas, levantando preocupações quanto à equidade e à responsividade do sistema de saúde. Investigou-se a associação entre necessidade normativa de tratamento odontológico e utilização de serviços em crianças brasileiras de 5 anos. Estudo transversal de base populacional com dados do SB Brasil 2023 (n=7.198). O desfecho foi a utilização de serviços (sim/não) e a principal exposição, a necessidade normativa de tratamento, com ajuste para variáveis sociodemográficas, clínicas e de acesso. As análises consideraram o desenho amostral complexo, com estimativas ponderadas, utilizando regressão de Poisson com variância robusta para estimar razões de prevalência (RP; IC95%). A prevalência de utilização foi de 61,3%, enquanto 42,9% apresentavam necessidade de tratamento. Não houve associação significativa entre necessidade e utilização (RP=1,09; IC95%:0,95-1,25). Em contraste, dor dentária autorreferida (RP=1,32; IC95%:1,17-1,49) e posse de plano odontológico (RP=1,52; IC95%:1,40-1,65) associaram-se a maior uso. No modelo ajustado, dor (RP=1,28; IC95%:1,11-1,47) e plano (RP=1,43; IC95%:1,25-1,65) permaneceram significativos.

A utilização mostrou-se mais influenciada por sintomas e acesso do que pela necessidade normativa, sugerindo padrão reativo, possível barreira estrutural ao cuidado oportuno e persistência de iniquidades, reforçando a necessidade de ampliar ações preventivas e o acesso equitativo na atenção à saúde bucal infantil.

PIa0070 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Perfil epidemiológico, resolutividade e continuidade do atendimento odontológico em uma unidade prisional paulista
Gabriela Arcúrio Landini Marchi, Giovana Renata Gouvêa, Amanda Pelegrin Candemil
CENTRO UNIVERSITÁRIO DA FUNDAÇÃO HERMÍNIO OMETTO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo objetivou caracterizar o perfil epidemiológico, a resolutividade e a continuidade do atendimento odontológico na Penitenciária "Joaquim de Sylos Cintra", em Casa Branca-SP. Realizou-se um estudo descritivo, transversal e documental, com coleta de dados retrospectiva de prontuários referentes ao ano de 2024. A amostra compreendeu 838 atendimentos realizados em 340 pacientes únicos (média de 2,46 atendimentos/indivíduo). Evidenciou-se um expressivo fluxo de cuidado longitudinal, no qual 68,2% da amostra (n=232) retornou ao serviço ao menos uma vez, estabelecendo um Indicador de Continuidade Assistencial (ICA) de 0,68; um caso de alta complexidade demandou 12 atendimentos. Os resultados indicam predominância de atendimentos eletivos (60,7%) frente às urgências (39,3%). No tocante à resolutividade clínica, observou-se a realização de 197 procedimentos conservadores frente a 81 intervenções cirúrgicas, as quais resultaram na exodontia de 102 elementos dentários, estabelecendo um Indicador de Resolutividade (IR) de 0,51. Tal dado confirma um perfil assistencial predominantemente preservador, no qual o volume de restaurações superou as extrações. As ações preventivas apresentaram índice residual (1,1%).

Conclui-se que o serviço apresenta resolutividade satisfatória e alinhada à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), rompendo com o modelo puramente emergencial através da continuidade da assistência. Persiste, contudo, a necessidade de fortalecer o componente preventivo para garantir a integralidade do cuidado no sistema prisional.

(Apoio: CNPq  N° 135703/2025-5 - IC)
PIa0071 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Medidas de orientação sexual e identidade de gênero na vigilância em saúde no Brasil (1967-2025)
Valeska Lacerda Domingos Garcia, Phelipe Elias da Silva, Heitor Bernardes Pereira Delfino, Bruno Monteiro Silva, Euvesley Silva, Roberto Francisco Moura Gomes Santos, Catarina Machado Azeredo, Priscilla Barbosa Ferreira Soares
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo avaliou a incorporação de medidas de orientação sexual e identidade de gênero (OSIG) nos sistemas nacionais de vigilância em saúde ao longo de quase seis décadas. Foi realizado estudo documental transversal com base em fontes públicas, incluindo bases do DATASUS e levantamentos do IBGE, contemplando pesquisas nacionais, como o SB Brasil, e sistemas administrativos implementados entre 1967 e 2025. Os sistemas foram examinados quanto à presença e à organização das variáveis de OSIG e classificados como ausentes, parciais ou conforme a abordagem em duas etapas, que distingue sexo atribuído ao nascimento e identidade de gênero atual. Foram avaliadas 228 observações sistema-ano. A maioria não incluiu qualquer medida de OSIG (91,2%), enquanto apenas 8,8% incorporaram ao menos uma variável. Informações sobre orientação sexual foram mais frequentes do que aquelas relativas à identidade de gênero, restritas a poucos sistemas recentes. Nenhum sistema contemplou simultaneamente sexo atribuído ao nascimento e identidade de gênero, evidenciando ausência completa da abordagem recomendada. Os achados revelam uma lacuna estrutural persistente na vigilância em saúde brasileira.

A ausência de medidas padronizadas compromete a identificação de populações historicamente negligenciadas e limita a produção de evidências essenciais para o desenvolvimento de políticas públicas equitativas.

(Apoio: CAPES  N° #001  |  CNPq  N° INCT Saúde Oral e Odontologia #406840/2022-9  |  FAPEMIG  N° RED #00204-23 )
PIa0073 - Painel Iniciante
Área: 9 - Ciências do comportamento / Saúde Coletiva

Apresentação: 10/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Bloco E - Amarelo

Hábitos de higiene e necessidades odontológicas em crianças com Síndrome Congênita do Zika
Nadielly Gomes Fernandes, Lucas Gabriel Pacas do Nascimento, Matheus Nobrega Pereira, Maria Renata Caballero Lettieri Pinto, Marcele Jardim Pimentel
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A Síndrome Congênita do Zika (SCZ) está associada a alterações orofaciais e elevada demanda por cuidados odontológicos, sobretudo em populações com acesso limitado à assistência, mesmo não especializada. Este estudo avalia hábitos de higiene oral e sua relação com as necessidades de tratamento em crianças com SCZ, considerando ainda a via de alimentação. Trata-se de estudo observacional, descritivo e comparativo, com análise retrospectiva de 20 prontuários de pacientes atendidos pelo projeto de extensão Odonto em Campo/UFPB. Foram analisadas frequência e métodos de higiene oral, percepção dos cuidadores e necessidades de tratamento bucal. A associação entre necessidade de tratamento e via de alimentação foi também investigada e para isto os pacientes foram divididos conforme via alimentar: oral (GO; n=10) e enteral (GE; n=10) (Fischer p<0,05). Observou-se que 95% dos cuidadores relataram ter recebido orientações de higiene, apesar disto, 60% classificaram a saúde bucal como ruim e 75% não possuíam acompanhamento odontológico periódico. Foi observada associação entre a via de alimentação e o perfil de necessidades odontológicas, com predominância de restaurações no GO (p<0,001) e raspagens supragengivais no GE (p=0,025). Mesmo sem alimentação oral para GE, não foi observada diferença na frequência de higiene oral entre os grupos (p=0,320), sendo esta realizada predominantemente 2x ao dia (65%), com uso de escova e dentifrício, sendo limitado o uso de instrumentos auxiliares (40%).

Conclui-se que pacientes SCZ com via enteral estão mais susceptíveis a doenças periodontais, mesmo com relato de frequência regular de higiene oral. Este achado indica a necessidade de estratégias educativas mais específicas para este público.




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