9 a 12 de Setembro de 2026 | São Paulo / SP

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Resumos Aprovados 2026

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COL001 - Prêmio Colgate Odontologia Preventiva
Área: 3 - Cariologia / Tecido Mineralizado

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Sala Havana

Inatividade física, resistência insulínica e cárie dentária: estudo de base populacional por modelagem de equações estruturais
Aline Braga Melo, Amanda Vieira da Silva de Oliveira, Susilena Arouche Costa, Silas Alves-Costa, Lorena Lúcia Costa Ladeira
CENTRO UNIVERSITÁRIO DO MARANHÃO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A cárie dentária, uma das DCNT mais prevalentes globalmente, compartilha determinantes comportamentais, metabólicos e sociais com outras condições sistêmicas, mas a interação com a inatividade física ainda é pouco explorada por abordagens analíticas robustas. Este estudo investigou, em adultos norte-americanos, as relações entre inatividade física, resistência insulínica e cárie por Modelagem de Equações Estruturais. Foram analisados dados do NHANES 2011-2014 (n=8.119), tendo como desfecho o número de dentes cariados obtido por exame clínico. A inatividade física foi definida conforme recomendações nacionais; resistência insulínica estimada pelo HOMA-IR; obesidade pelo IMC. Consumo de açúcar e álcool, tabagismo e status socioeconômico (variável latente) foram considerados. O modelo apresentou excelente ajuste (RMSEA=0,016; CFI=0,977; TLI=0,895). A inatividade física associou-se positivamente à cárie (CP=0,030; p=0,001), com mediação por obesidade (CP=0,016; p=0,014) e resistência insulínica (CP=0,013; p=0,027). A resistência insulínica mostrou efeito direto relevante (CP=0,099; p<0,001). O consumo de açúcar e o tabagismo também apresentaram associações significativas, enquanto maior nível socioeconômico exerceu efeito protetor expressivo (CP=−0,475; p<0,001).

Os achados evidenciam que a cárie integra um eixo sindêmico de adoecimento crônico, reforçando seu papel como marcador de risco sistêmico e a necessidade de estratégias integradas baseadas em fatores de risco comuns, com alto potencial de impacto em políticas públicas e práticas clínicas.

(Apoio: CAPES)
COL002 - Prêmio Colgate Odontologia Preventiva
Área: 3 - Cariologia / Tecido Mineralizado

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Sala Havana

Avaliação do impacto de um modelo preventivo de saúde bucal em comunidades indígenas amazônicas: estudo longitudinal no Alto Arapiuns (PA)
Pollyane Gomes Soares, Pablo Guilherme Caldarelli, Arthur Orlando Klas Neto, Anna Carolina Castro Portella, Felipe de Oliveira Tavares, Carolina Dea Bruzamolin
UNIVERSIDADE POSITIVO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

A saúde bucal dos povos indígenas brasileiros é marcada por desigualdades estruturais que se expressam em altas prevalências de cárie dentária, perdas precoces e limitações persistentes de acesso aos serviços odontológicos. Este estudo objetivou-se a avaliar o impacto do "Modelo Cárie Zero" em aldeias do Alto Arapiuns no Pará, entre 2023 e 2025. A intervenção baseou-se na população escolar (n=417) com ações integradas de escovação supervisionada diária nas escolas, uso semanal de fluoreto, educação em saúde com oficinas e atendimento clínico odontológico de baixa complexidade no ambiente escolar. Observou-se aumento global de crianças livres de cárie e redução de risco elevado, com destaque para a aldeia Cachoeira do Maró, onde o índice de Cárie Zero evoluiu de 18% para 41%. Em Novo Lugar, verificou-se melhora progressiva, com aumento de 19% para 27%. Em São José III, observou-se redução de 42% para 29%, reforçando a importância da análise individualizada das comunidades, uma vez que cada território apresenta desafios específicos para a consolidação das práticas preventivas. Os achados reforçam que a inserção da odontologia no ambiente escolar é determinante para a efetividade das estratégias preventivas, funcionando como elo entre equipe de saúde e comunidade.

Conclui-se que a sustentabilidade das ações depende da compreensão cultural, da presença contínua no território e do fortalecimento da educação em saúde como eixo estruturante da promoção da saúde bucal indígena.

COL003 - Prêmio Colgate Odontologia Preventiva
Área: 3 - Cariologia / Tecido Mineralizado

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Sala Havana

Validação de modelo de ciclagem de pH para avaliar o efeito do fluoreto profissional em lesões de cárie sob diferentes desafios cariogênicos
Larissa Caroliny de Brito Benedito, Antônio Pedro Ricomini Filho, Cínthia Pereira Machado Tabchoury, Jaime Aparecido Cury
Cariologia FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE PIRACICABA
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

O efeito da aplicação profissional de fluoreto (APF) na inibição da progressão de lesões de cárie é modulado pelo desafio cariogênico, especialmente pela frequência de exposição a açúcares fermentáveis, variável raramente incorporada em modelos experimentais e com relevância clínica ainda não estabelecida. Este estudo validou um modelo de ciclagem de pH para avaliar o efeito do fluoreto profissional na progressão de lesões de esmalte sob diferentes níveis de desafio cariogênico. Utilizou-se delineamento fatorial 3×3, com dois fatores: tratamento (água, controle; solução fluoretada acidulada, FA: 1,23% F, pH ~4,5 simulando F-gel acidulado; solução fluoretada neutra, FN: 2,26% F, pH ~7,5, simulando verniz-F) e frequência de exposição à sacarose (3, 6 ou 12x/dia, simulando desafios baixo, médio e alto). Blocos de esmalte bovino com lesão induzida de cárie (n=15/grupo) foram submetidos à ciclagem de pH por 16 dias, com exposição diária à solução desmineralizante por 2, 4 ou 8h, permanecendo o restante do tempo em solução remineralizante. A progressão da lesão foi determinada por dureza transversal (ΔΔS). Os dados foram analisados por ANOVA e teste de Tukey (α=5%). Observou-se efeito significativo (p<0,05) do desafio, do tratamento e da interação. O aumento do desafio resultou em maior ΔΔS. Sob baixo desafio, FA e FN reduziram ΔΔS em relação ao controle, sem diferença entre si. Sob desafio médio, não houve efeito. Sob alto desafio, o controle apresentou maior ΔΔS, diferindo dos tratamentos, que não diferiram entre si.

Conclui-se que a eficácia do fluoreto profissional na progressão de lesões de cárie depende do desafio cariogênico, reforçando a necessidade de controle do açúcar para o sucesso do tratamento.

(Apoio: CAPES  N° 88887.799206/2022-00  |  CAPES  N° 001)
COL005 - Prêmio Colgate Odontologia Preventiva
Área: 4 - Odontopediatria

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Sala Havana

Associação de fatores sociodemográficos e orientações em saúde bucal ao tipo de dentifrício e à experiência de cárie em pré-escolares
Bianca Veloso Ferreira Neves, Gabriella Fernandes Rodrigues, Andréa Fonseca-gonçalves
Odontopediatria e Ortodontia UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Neste estudo transversal, avaliaram-se associações de fatores sociodemográficos e de orientações em saúde bucal ao tipo de dentifrício utilizado e à experiência de cárie em pré-escolares. Coletaram-se dados sociodemográficos (idade da criança, idade e escolaridade do cuidador e renda familiar); atendimento médico (público/privado); orientações prévias para prevenção de cárie (sim/não) e fonte da orientação (dentistas e outros profissionais de saúde/leigos); quem realiza a escovação (criança/responsável) e frequência (≤2/>2 vezes ao dia); além do consumo de açúcar (baixo/moderado/alto). Tais variáveis foram associadas ao tipo de dentifrício (com flúor/sem flúor ou de baixa concentração) e à experiência de cárie (sim/não), por meio de análises uni e multivariadas (α=0,05). Do total de crianças (n=67; 2,61±1,45 anos), a maioria utilizava dentifrício sem flúor ou de baixa concentração (61,2%), tinham experiência de cárie (56,7%) e um consumo alto de açúcar (43,4%). Predominaram atendimento em serviços públicos (74,1%), responsáveis realizando a escovação (81,5%) ≥2 vezes/dia (75,4%), mães como cuidadoras (91,9%) com ≤12 anos de estudo (85,0%) e renda ≤10 salários mínimos (53,6%). Orientações prévias foram relatadas por 60%, majoritariamente por dentistas ou profissionais de saúde (67,3%). A idade da criança ≥ 4 anos (p<0,001) e orientações por profissionais de saúde (p=0,035) associaram-se ao uso de dentifrício com flúor. Apenas o atendimento médico público permaneceu associado (p=0,040) à experiência de cárie.

Conclui se que orientação por profissionais de saúde e maior idade favorecem o uso de dentifrício fluoretado, enquanto a experiência de cárie é mais frequente entre crianças atendidas no setor público.

COL006 - Prêmio Colgate Odontologia Preventiva
Área: 4 - Odontopediatria

Apresentação: 12/09 - Horário: 08h30 às 12h00 - Local: Sala Havana

Compartilhado ou individual? Desvendando comportamentos de saúde bucal em gêmeos
Mariana Paes Muro, Thais Gomes de Oliveira Machado, Laura Regina Antunes Pontes, Eliza Cristine Guerra Chagas, Julia Gomes Freitas, Fausto Medeiros Mendes, Edgard Michel Crosato, Mariana Minatel Braga
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - SÃO PAULO
Conflito de interesse: Não há conflito de interesse

Este estudo integra uma coorte (CARDEC-Twins), com foco em fatores comportamentais em saúde bucal de gêmeos. Objetivamos avaliar a associação dos hábitos de higiene bucal (HB) e do consumo de açúcar, bem como de desfecho clínico a eles relacionados, entre os pares de gêmeos. 111 pares (54% monozigóticos (MZ), 46% dizigóticos (DZ)) tiveram seus comportamentos avaliados por examinadores treinados usando checklists validados. A experiência de cárie (ceo-s + CPO-S) foi mensurada, e correlações intrapar foram calculadas separadamente para gêmeos MZ e DZ, com IC95%, na amostra total e após estratificação pela mediana de idade (≤10 vs. >10 anos). O consumo de açúcar apresentou correlações semelhantes em MZ (r=0,55; IC95%:0,31-0,72) e DZ (r=0,57; IC95%:0,31-0,75; p<0,001), sugerindo predominância de ambiente compartilhado. Para HB, a correlação foi significativa apenas em MZ (r=0,32; IC95%:0,06-0,54; p=0,018), mas não em DZ (r=-0,04; p=0,77), indicando maior influência individual. Cárie mostrou maior correlação em MZ (r=0,70; IC95%:0,55-0,81) do que em DZ (r=0,51; IC95%:0,28-0,69, p<0,001), sugerindo contribuição genética e ambiental. A estratificação por idade indicou que a similaridade da dieta foi maior entre os mais jovens (MZ=0,62; DZ=0,71) e reduziu-se entre os mais velhos (MZ=0,49; DZ=0,26). Já a HB parece ter acentuado a individualidade com a idade (mais jovens: MZ=0,50;DZ=0,06; mais velhos: MZ:0,08; DZ:-0,06).

Conclui-se que o consumo de sacarose é majoritariamente compartilhado entre os gêmeos, especialmente nos mais jovens, a HB é predominantemente individual e com essa individualidade se acentuando com a idade. Já os desfechos clínicos, como a cárie, tendem a refletir a combinação de fatores genéticos e ambientais.

(Apoio: CAPES  N° 88887.014908/2024-00  |  FAPs - FAPESP  N° 2025/04263-3  |  FAPs - FAPESP  N° 2022/02107-6)



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